Passos para Cristo – Lição 3 – Arrependimento

Lição 3 – Arrependimento

 

Texto base: “Livro Passos para Cristo”, Capítulo 3 – Ellen G. White.

 

Verso Áureo: “Desde então, começou Jesus a pregar e dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” Mateus 4:17.

 

Domingo

 

Como pode um homem ser justo diante de Deus? Como pode o pecador ser tornado justo? É somente através de Cristo que nós podemos ser trazidos a harmonia com Deus, com a santidade; mas como iremos nós para Cristo? Muitos estão fazendo a mesma pergunta feita pela multidão no dia de Pentecostes, que, convencidos de pecado, clamaram, “Que faremos?” A primeira palavra da resposta de Pedro foi, “Arrependei-vos.” (At. 2:38). Em outro tempo, pouco depois, ele disse, “Arrependei-vos… e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.” (At. 3:19).

 

1) Quem alcançará a misericórdia do Senhor? Prov. 28:13.

 

R.: “O que encobre as transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”.

 

Arrependimento inclui tristeza pelo pecado, e um abandono dele. Nós não renunciaremos o pecado ao menos que vejamos sua pecaminosidade; não haverá mudança real em nossa vida até nos desviarmos dele no coração.

 

Existem muitos que não compreendem a natureza do arrependimento. Multidões se entristecem por terem pecado, e mesmo fazem uma reforma externa, porque temem que suas más ações trarão sofrimentos sobre eles mesmos. Mas este não é o arrependimento na visão da Bíblia. Eles lamentam o sofrimento antes que o pecado. Este era o pesar de Esaú quando viu a primogenitura estava eternamente perdida para ele. Balaão, terrificado pelo anjo parado no seu caminho com uma espada desembainhada, reconheceu sua culpa porque poderia perder sua vida; mas não houve arrependimento genuíno do pecado, nenhuma conversão de propósito, nenhum aborrecimento do mal. Judas Iscariotes, após trair seu Senhor, exclamou: “Pequei, traindo sangue inocente.” (Mat. 27:4).

 

A confissão foi forçada de sua alma culpada por um terrível senso de condenação e uma temerosa visão do juízo. As consequências que lhe advieram, encheram-lhe com terror, mas não houve profundo pesar de quebrantar de coração, porque traíra o imaculado Filho de Deus, e negara o Único Santo de Israel. Faraó, quando sofrendo sobre os juízos de Deus, reconheceu seu pecado, para escapar de punição futura, mas retornou ao seu desafio ao céu tão logo as pragas foram detidas. Todos esses lamentaram os resultados do pecado, mas não se entristeceram pelo pecado em si.

 

2) Qual é a obra do Espírito de Deus no coração do homem? Jo. 16:8.

 

R.: “quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado“.

 

Mas quando o coração cede à influência do Espírito de Deus, a consciência será despertada, e o pecador irá discernir algo da profundeza e sacralidade da santa lei de Deus, o fundamento de Seu governo no céu e na terra. A “luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (Jo. 1:9) ilumina as câmaras secretas da alma, e as coisas escondidas das trevas são tornadas manifestas. A convicção se apodera da mente e coração. O pecador tem um senso da justiça de Jeová, e sente o terror de aparecer, em sua própria culpa e impureza, ante o Pesquisador dos corações. Ele vê o amor de Deus, a beleza da santidade, a alegria da pureza; ele espera ser limpo, e ser restaurado à comunhão com o Céu.

 

Segunda-feira

 

1) Quais são os frutos do verdadeiro arrependimento? II Cor. 7:10, 11.

 

R.: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza segundo o mundo opera a morte. Porque quanto cuidado não produziu isso mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio.”.

 

A oração de Davi após sua queda ilustra a natureza da verdadeira tristeza pelo pecado. Seu arrependimento foi sincero e profundo. Não houve nenhum esforço para amenizar sua culpa; nenhum desejo de escapar da ameaça do juízo inspirou sua oração. Davi viu a enormidade da sua transgressão; ele viu a contaminação da sua alma; abominou seu pecado. Não orou apenas pelo perdão do pecado, mas também pela pureza de coração. Ele ansiava pela alegria da santidade, – ser restaurado a harmonia e comunhão com Deus. Esta era a linguagem de sua alma: (Sl. 32:1, 2) – “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo.”

“Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões….

Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim….

Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve….

Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.

Não me repulses da Tua presença, nem me retires o Teu Santo Espírito.

Restitui-me a alegria da Tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário….

Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua exaltará a Tua justiça.” (Sl. 51:1-14).

 

Um arrependimento como este, está além de nossa própria força atingir; ele é obtido somente de Cristo, que ascendeu ao céu, e deu dons aos homens.

 

2) Quem concede o arrependimento aos homens? O arrependimento vem de nós mesmos ou o recebemos? At. 5:31.

 

R.: “Deus, com Sua destra, O elevou [Jesus] a Príncipe e Salvador, para dar
a Israel o arrependimento e remissão dos pecados”.

 

Terça-feira

 

“o que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora” Jo. 6:37.

 

Exatamente aqui é um ponto no qual muitos erram, e, portanto deixam de receber a ajuda que Cristo lhes deseja dar. Eles pensam que não podem vir a Cristo a menos que primeiro se arrependam, e que o arrependimento prepara-os para o perdão dos seus pecados. É verdade que o verdadeiro arrependimento precede o perdão dos pecados; porque é somente o quebrantado e contrito coração que sentirá a necessidade de um Salvador. Mas precisa o pecador esperar até que ele se tenha arrependido antes de vir a Jesus? Deve o arrependimento ser feito um obstáculo entre o pecador e o Salvador?

 

A Bíblia não ensina que o pecador tenha que se arrepender antes que possa ouvir o contive de Cristo, “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mat. 11:28). É a virtude que sai de Cristo, que conduz ao genuíno arrependimento. Pedro tornou claro este tema em sua declaração para os israelitas, quando disse, “Deus, porém, com a Sua destra, O exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados” (At. 5:31). Não podemos nos arrepender sem o Espírito de Cristo para despertar a consciência mais do que podemos ser perdoados sem Cristo.

 

Cristo é a fonte de cada bom impulso. Ele é o Único que pode implantar inimizade contra o pecado no coração. Cada aspiração à verdade e pureza, cada convicção de nossa própria pecaminosidade, é uma evidência que Seu Espírito está operando em nossos corações.

 

Jesus tinha dito, “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” (Jo. 12:32). Cristo precisa ser revelado ao pecador como o Salvador morrendo pelos pecados do mundo; e assim que contemplamos o Cordeiro de Deus sobre a cruz do Calvário, o mistério da redenção começa a ser desdobrado para nossas mentes, e a bondade de Deus nos conduz ao arrependimento. Morrendo pelos pecadores, Cristo manifestou um amor que é incompreensível; e assim que o pecador contempla este amor, este abranda o coração, impressiona a mente, e inspira contrição na alma.

 

1) Pode alguém arrepender-se sem ser por meio de Cristo? Jo. 15:5.

 

R.: “sem Mim [Jesus] nada podereis fazer”.

 

É verdade que os homens algumas vezes ficam envergonhados de seus caminhos de pecado, e mudam alguns de seus hábitos, antes de estarem conscientes de que estão sendo atraídos para Cristo. Mas sempre que eles façam um esforço para se reformar, oriundo de um sincero desejo de proceder corretamente, é o poder de Cristo que os está atraindo. Uma influência da qual eles estão inconscientes trabalha sobre a alma, a consciência é despertada, e a vida exterior é emendada. E assim que Cristo os atrai para olhar sobre Sua cruz, para contemplar Aquele a quem Seus pecados trespassaram, o mandamento toma lugar na consciência. A impiedade da sua vida, o pecado arraigado no profundo da alma é revelado a eles. Eles começam a compreender algo da justiça de Cristo, e exclamam, “O que é o pecado, para que requeresse tal sacrifício para a redenção de sua vítima? Foi todo este amor, todo este sofrimento, toda esta humilhação demandada, para que nós pudéssemos não perecer, mas ter vida eterna?”

 

O pecador pode resistir a este amor, pode recusar ser atraído para Cristo; mas se ele não resistir, ele será atraído para Jesus; um conhecimento do plano da salvação irá levá-lo aos pés da cruz em arrependimento por seus pecados, os quais causaram os sofrimentos do querido Filho de Deus.

 

Quarta-feira

 

“a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” Rom. 2:4 (Tradução Almeida Revista e Atualizada).

 

A mesma mente divina que está trabalhando sobre as coisas da natureza está falando para os corações dos homens, e criando um inexprimível anseio por algo que eles não possuem. As coisas do mundo não podem satisfazer seu desejo. O Espírito de Deus está pleiteando com eles para procurar por aquelas coisas que unicamente podem dar paz e descanso – a graça de Cristo, a alegria da santidade. Por influências visíveis e invisíveis, nosso Salvador está constantemente trabalhando para atrair as mentes dos homens dos prazeres do pecado que não satisfazem para as infinitas bênçãos que podem ser suas nEle. Para todas estas almas, que estão procurando em vão beber das cisternas rotas deste mundo, a divina mensagem é dirigida, “Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.” (Ap. 22:17).

 

Você, que no coração espera por algo melhor do que este mundo pode dar, reconheça este desejo como a voz de Deus para a Sua alma. Peça a Ele para dar a você arrependimento, para revelar Cristo para você em Seu infinito amor, em Sua perfeita pureza. Na vida do Salvador os princípios da lei de Deus – amor a Deus e ao homem – foram perfeitamente exemplificados. Benevolência, abnegado amor, era a vida da Sua alma. E é quando O contemplamos, quando a luz de nosso Salvador cai sobre nós, que nós vemos a pecaminosidade de nossos próprios corações.

 

1) Como consideram a si mesmos aqueles que são justificados por Deus? Luc. 18:10-14.

 

R.: “Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças Te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado”.

 

Nós podemos supor de nós mesmos, como o fez Nicodemos, que nossa vida tenha sido correta, nosso caráter moral é correto, e pensar que nós não precisamos humilhar o coração ante Deus, como o pecador comum: mas quando a luz proveniente de Cristo brilhar dentro de nossas almas, nós veremos quão impuros somos; discerniremos o egoísmo dos motivos, a inimizade contra Deus, que têm poluído cada ato da vida. Então nós reconheceremos que nossa própria justiça é de fato como trapos de imundícia, e que unicamente o sangue de Cristo pode nos limpar da contaminação do pecado, e renovar nossos corações à Sua própria imagem.

 

Um raio da glória de Deus, um lampejo da pureza de Cristo, penetrando a alma, torna cada mancha ou contaminação dolorosamente distinta, e deixa expostos as deformidades e defeitos do caráter humano. Torna aparentes os desejos profanos, a infidelidade do coração, a impureza dos lábios. Os atos de deslealdade do pecador, invalidando a lei de Deus, são expostos à sua visão, e seu espírito é tocado e afligido sob a perscrutadora influência do Espírito de Deus. Ele abomina a si mesmo tão logo vê o puro, imaculado caráter de Cristo.

 

Quando o profeta Daniel contemplou a glória que circundava o mensageiro celestial que foi enviado até ele, foi esmagado com um senso da sua própria fraqueza e imperfeição. Descrevendo o efeito da maravilhosa cena, ele diz, “não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma” (Dan. 10:8). A alma assim tocada irá odiar seu egoísmo, detestar seu amor próprio, e procurará, através da justiça de Cristo, pela pureza de coração que está na harmonia com a lei de Deus e o caráter de Cristo.

 

Paulo diz que “quanto à justiça que há na lei” – tanto quando dizia respeito a seus atos exteriores, – ele era “inculpável” (Fil. 3:6); mas quando o caráter espiritual da lei foi discernido, ele viu-se um pecador. Julgado pela letra da lei como os homens a aplicam para a vida exterior, ele tinha se abstido de pecado; mas quando ele olhou para as profundezas de seus preceitos sagrados, e viu a si mesmo como Deus o via, ele curvou-se em humilhação, e confessou sua culpa. Ele diz, “Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri” (Rom. 7:9). Quando ele viu a natureza espiritual da lei, o pecado apareceu em sua verdadeira hediondez, e sua auto estima desapareceu.

 

Quinta-feira

 

1) Quem recebe a graça de Deus? Luc. 18:13, 14.

 

R.: “O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado“.

 

Deus não reputa todos os pecados como de igual magnitude; existem degraus de culpa em Sua avaliação, assim como há na avaliação do homem; mas embora insignificante quanto este ou aquele ato errado possa parecer aos olhos dos homens, nenhum pecado é pequeno na visão de Deus. O julgamento do homem é parcial, imperfeito; mas Deus estima todas as coisas como elas realmente são. O bêbado é desprezado, e é dito que seu pecado o excluirá do céu; enquanto orgulho, egoísmo, e cobiça quase sempre passam sem ser reprovados. Mas estes são pecados especialmente ofensivos a Deus; porque são contrários à benevolência do Seu caráter, àquele amor abnegado que é a própria atmosfera do universo não caído. Aquele que cai em algum desses pecados grosseiros pode obter um senso de sua vergonha e pobreza e sua necessidade da graça de Cristo; mas o orgulhoso não sente necessidade, e então fecha seu coração contra Cristo e as infinitas bênçãos que Ele veio para dar.

 

O pobre publicano que orou, “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Luc. 18:13), considerou a si mesmo um homem muito ímpio, e outros o viam segundo a mesma luz; mas ele sentiu sua necessidade, e com seu fardo de culpa e vergonha ele veio ante Deus, suplicando por Sua misericórdia. Seu coração estava aberto para o Espírito de Deus fazer seu gracioso trabalho, e livrá-lo do poder do pecado. A oração cheia de orgulho e justiça própria do fariseu mostrou que seu coração estava cerrado à influência do Espírito Santo. Por causa de sua distância de Deus, ele não teve senso de sua própria contaminação, em contraste com a perfeição da divina santidade. Ele não sentiu nenhuma necessidade, e não recebeu nada.

 

Se você vê sua pecaminosidade, não espere tornar-se melhor. Muitos há que pensam que não são bons o suficiente para ir a Cristo. Você espera tornar-se melhor por seus próprios esforços? “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jer. 13:23). Somente em Deus há ajuda para nós. Nós não devemos esperar por persuasões mais fortes, por melhores oportunidades, ou por temperamentos mais santos. Não podemos fazer nada de nós mesmos. Devemos ir até Cristo assim como estamos.

 

2) O homem que persiste no pecado, desprezando as advertências de Deus, permanece no Seu favor? Heb. 10:26, 27.

 

R.: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários”.

 

Mas não deixemos ninguém enganar a si mesmo com o pensamento de que Deus, em Seu grande amor e misericórdia, irá salvar ainda mesmo os rejeitadores de sua graça. A excessiva pecaminosidade do pecado pode ser estimada somente à luz da cruz. Quando homens insistem que Deus é bom demais para lançar fora o pecador, faça com que olhem para o Calvário. Foi porque não havia outro meio no qual o homem pudesse ser salvo, porque sem este sacrifício era impossível para a raça humana escapar do poder contaminador do pecado, e ser restaurado à comunhão com os seres santos, – impossível para eles tornarem-se novamente participantes da vida espiritual – foi por causa disto que Cristo tomou sobre Si mesmo a culpa dos desobedientes, e sofreu no lugar dos pecadores. O amor, sofrimento e morte do Filho de Deus, todos testificam da terrível enormidade do pecado, e declaram que não há escape do seu poder, nenhuma esperança de vida melhor, afora a submissão da alma a Cristo.

 

3) De acordo com o que Jesus ensinou por parábola, o que acontecerá com os que conheceram a vontade de Deus e se recusaram persistentemente a obedecer? Luc. 12:47.

 

R.: “o servo que soube a vontade do seu Senhor e não se aprontou, nem fez conforme Sua vontade, será castigado com muitos açoites”.

 

Os impenitentes algumas vezes desculpam a si mesmos por dizer dos professos cristãos, “Eu sou tão bom quanto eles. Eles não são mais abnegados, comedidos ou circunspectos em sua conduta do que eu. Eles amam os prazeres e a auto-indulgência tanto quanto eu.” Assim, eles tornam as faltas dos outros como uma desculpa pela sua própria negligência do dever. Mas os pecados e defeitos de outros não desculpam a ninguém; porque o Senhor não nos deu um modelo humano faltoso. O imaculado Filho de Deus foi dado como nosso exemplo, e aqueles que queixam-se do caminho errado dos professos Cristãos são os que deveriam demonstrar melhor viver e mais nobres exemplos. Se eles possuem concepção tão alta do que deveria ser um Cristão, não é seu próprio pecado muito maior? Eles conhecem o que é certo, e ainda recusam-se a fazê-lo.

 

Sexta-feira

 

“Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o coração” Hebreus 4:7.

 

Tome cuidado com a procrastinação. Não adie o trabalho de abandonar seus pecados, e procurar pureza de coração através de Jesus. Aqui é onde milhares de milhares tem errado, para sua perda eterna. Eu não irei aqui me demorar sobre a brevidade e incerteza da vida; mas existe um perigo terrível – um perigo não suficientemente compreendido – em demorar para atender à pleiteadora voz do Espírito Santo de Deus, escolhendo uma vida de pecado; pois isto é o que representa tal demora. O pecado, embora possa ser estimado como pequeno, pode ser acariciado somente com o perigo de infinita perda. O que nós não vencermos, nos vencerá, e operará nossa destruição.

 

Adão e Eva persuadiram a si mesmos que de um ponto tão pequeno como comer do fruto proibido não poderiam resultar tão terríveis conseqüências como Deus havia declarado. Mas este pequeno ponto era a transgressão da santa e imutável lei de Deus, e ele separou o homem de Deus e abriu as comportas da morte e maldição indizíveis sobre nosso mundo. Era após era tem saído da terra um contínuo clamor de pranto, e a criação inteira gemeu e vagueou juntamente em dor, como uma conseqüência da desobediência do homem. Mesmo o céu tem sentido os efeitos de sua rebelião contra Deus. O Calvário permanece como um memorial do espantoso sacrifício requerido para expiar a transgressão da lei divina. Não nos permitamos considerar o pecado como uma coisa trivial.

 

Cada ato de transgressão, cada negligência ou rejeição da graça de Cristo, está reagindo sobre você mesmo, endurecendo o coração, depravando a vontade, entorpecendo o entendimento, e não somente tornando-o menos inclinado a ceder, mas menos capaz de ceder ao terno pleitear do Espírito Santo de Deus.

 

Muitos estão acalmando uma consciência turbada com o pensamento de que eles podem mudar o curso do mal quando quiserem; que podem fazer pouco caso dos convites de misericórdia, e ainda continuarem a ser impressionados. Eles pensam que após fazer agravo ao Espírito da graça, após haverem colocado sua influência do lado de Satanás, em um momento de terrível dificuldade poderão mudar seu curso. Mas isto não é tão facilmente conseguido. A experiência, a educação de uma vida, tem tão completamente moldado o caráter que poucos então desejam receber a imagem de Jesus.

 

Mesmo um mau traço de caráter, um desejo pecaminoso, persistentemente acariciado, irá finalmente neutralizar todo o poder do evangelho. Cada pecaminosa condescendência fortalece na alma a aversão a Deus. O homem que manifesta uma infidelidade obstinada, ou uma apática indiferença à divina verdade, está tão somente ceifando aquilo que ele mesmo semeou. Não existe em toda a Bíblia um aviso mais terrível quanto a brincar com o mal que nas palavras do sábio, que o pecador “com as cordas do seu pecado será detido” (Prov. 5:22).

 

Cristo está pronto para livrar-nos do pecado, mas Ele não força a vontade; e se por persistente transgressão a própria vontade é totalmente empenhada no mal, e nós não desejamos ser livres, se nós não formos aceitar Sua graça, o que mais pode Ele fazer? Temos destruído a nós mesmos por nossa determinada rejeição do Seu amor. “eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (II Cor. 6:2; Heb. 3:7, 8).

 

Para meditar:

 

Deseja você que Cristo te livre do pecado hoje?

 

 

Sábado

 

1) De que maneira devemos cooperar com Deus na obra de limpeza do nosso coração? Ap. 3:19.

 

R.: “sê, pois, zeloso e arrepende-te”.

 

“O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração” (I Sam. 16:7), o coração humano, com suas emoções conflitivas de alegria e pranto, coração rebelde e extraviado, no qual reside tanta impureza e falácia. Ele conhece seus motivos, seus próprios intentos e propósitos. Vá para Ele com sua alma toda manchada como ela está. Como o Salmista, lance suas câmaras abertas para olho que tudo vê, exclamando, “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Sal. 139:23, 24).

 

Muitos aceitam uma religião intelectual, uma forma de bondade, quando o coração não está limpo. Permita que esta seja sua oração, “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Sal. 51:10). Trate honestamente com sua própria alma. Seja tão sério, tão persistente, como seria se sua própria vida mortal estivesse em jogo. Este é um assunto para ser resolvido entre Deus e sua própria alma, resolvido para a eternidade. Uma suposta esperança e nada mais, demonstrar-se-á sua ruína.

 

Estude a Palavra de Deus com muita oração. Esta Palavra apresenta ante você, na lei de Deus e a vida de Cristo, os grandes princípios de santidade, sem os quais “ninguém verá o Senhor” (Heb. 12:14). Ela convence de pecado; ela revela plenamente o caminho da salvação. Dê atenção para ela, como a voz de Deus falando para sua alma.

 

Tão logo você veja a enormidade do pecado, tão logo se veja como você realmente é, não se entregue ao desespero. Cristo veio para salvar pecadores. Nós não temos que reconciliar a Deus conosco, mas: Oh, maravilhoso amor! Deus está em Cristo “reconciliando conSigo o mundo” (II Cor. 5:19). Ele está por Seu terno amor cortejando os corações de seus filhos pecadores. Nenhum pai terreno poderia ser tão paciente com os erros e faltas de seus filhos, como é Deus com aqueles que Ele procura salvar. Ninguém poderia pleitear mais ternamente com o transgressor. Jamais lábios humanos expressaram mais ternas súplicas para o errante do que Ele. Todas Suas promessas, Suas advertências, não são senão suspiros de inexprimível amor.

 

2) Pode Jesus obter o perdão para qualquer pecado, grande ou pequeno, de todos os pecadores? Atos 2:38, 39, 21.

 

R.: “arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados…porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar“. “e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo“.

 

Quando Satanás vem para dizer-te que você é um grande pecador, olhe para o Seu Redentor, e fale dos Seus méritos. O que ajudará você é olhar para Sua luz. Reconheça seu pecado, mas diga ao inimigo que “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores” (I Tim. 1:15), e que você pode ser salvo por Seu inigualável amor. Jesus fez uma pergunta a Simão em relação a dois devedores. Um devia ao seu senhor uma pequena soma, e o outro devia a ele uma grande soma; mas ele perdoou a ambos, e Cristo perguntou a Simão qual devedor amaria mais ao seu senhor. Simão respondeu, “aquele a quem mais perdoou” (Luc. 7:43). Nós temos sido grandes pecadores, mas Cristo morreu para que nós pudéssemos ser perdoados. Os méritos de Seu sacrifício são suficientes para apresentar ao Pai em nosso favor. Aqueles a quem Ele mais houver perdoado O amarão mais, e irão estar mais próximo do Seu trono para louvá-Lo por Seu grande amor e infinito sacrifício. É quando nós compreendemos mais completamente o amor de Deus que nós discernimos melhor a pecaminosidade do pecado. Quando nós vemos o comprimento da corrente que foi deitada para nós, quando nós entendemos algo do infinito sacrifício que Cristo fez em nosso favor, nosso coração é derretido em ternura e contrição.

 

Acesse a lição completa: http://bit.ly/escola-sabatina-passos-para-cristo